Olá blog!
Já faz um tempo, né? Eu sei..."tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda..."
Não sei se é, de fato, a falta de tempo por conta da correria incontrolável do dia a dia, ou se a falta de motivos que me façam parar em meio ao caos e me ponha a escrever para ti.
Madrugada correndo, a insônia dando o ar da graça (já estava com saudade) e a sensação de que falta alguma coisa... Mas quando é que não falta, não é mesmo? Nunca estamos satisfeitos...eu nunca estou satisfeita.
Acabei de assistir um filme. Um romance chamado "Da Magia à Sedução" com a Sandra Bullock e a Nicole Kidman. Um misto de história de amor e bruxaria. Isso me fez lembrar minha adolescência. Sempre fui fissurada em contos de bruxaria, histórias com bruxas, com lobisomens, vampiros e todas essas coisas que dizem serem "sombrias". Foi bom voltar ao tempo. E agora, ao som de Adele, especificamente a música "Lovesong" eu penso nele e em tudo o que poderia ter sido.
Semana passada ele apareceu aqui. O telefone tocou, eu atendi:
- Alô.
- Oi, estou aqui na frente.
- Agora? (Nem sei como consegui responder. Depois de oito meses, esse foi o primeiro contato que tivemos.)
- Sim.
- Me dê um minuto. Já estou descendo. (O que ele não sabe é que eu já estava no térreo e vi exatamente a hora em que ele chegou.)
- Eu espero.
Subi as escadas correndo, fui até a varanda e respirei fundo. Segundo o meu amigo, que nunca tinha me visto daquele jeito, ele achou que eu iria ter um infarto ou coisa do tipo, e a primeira preocupação dele era sair para me levar ao hospital às 23h da noite. (Sim, ele é meu amigo, acreditem!) Depois que passou demos muitas risadas juntos.
Desci e entrei no carro.
Ele me deu boa noite e me entregou um objeto. Eu o fitei e ele não conseguia olhar pra mim. Estava nervoso demais. Ficamos em silêncio por um instante e eu tentei quebrar o clima dizendo que ele não havia mudado quase nada e que continuava lindo. Ele sorriu e aquilo pra mim foi uma vitória. Conversamos um pouco e ele gaguejou algumas vezes. Peguei em sua mão. Estava gelada. Ele hesitou. Sabíamos que ainda estávamos correndo riscos. E ele acabou admitindo o quanto e o quê ainda sentia por mim. Eu queria que o tempo parasse exatamente naquele instante. Ele me fitou. Me olhou com a admiração de sempre, e com um medo desconhecido até então. Rimos de um caso que contei quando encontrei com a mãe dele da última vez. Por sinal, alguém de que sinto muita falta. Falamos então da saudade. E essa estava exposta ali. Na verdade, estávamos respirando-a. All the time.
Trocamos olhares, ora singelos, ora de desejo, ora de saudade, ora de culpa. Nos abraçamos. E sentimos um ao outro dessa forma. Sentindo o abraço, sentindo o cheiro um do outro, encostando nossos lábios no pescoço, no rosto, encostando nossos rostos, como gostávamos de fazer e então compreendemos que era melhor parar por ali. Os seus olhos encheram-se de lágrima e o encontro estava prestes a tomar uma direção que não queríamos.
Me despedi dizendo o quanto sentia e quanto queria que ele desse certo. Ele fez o mesmo. E foi embora.
Voltei para o meu quarto e como era de se esperar, passei a noite olhando para o teto, com os pensamentos bem longe, até cair no sono. Faziam oito meses e eu achei que aquilo nunca mais fosse acontecer.
Contudo, foi necessário. Foi maravilhoso. Vimos até onde podíamos ir, até onde conseguíamos e eu pude constatar que estou pronta. Estamos prontos para seguirmos adiante. O que restou foi saudade e carinho.
É isso. Estou pronta para recomeçar. Eu precisava disso. Desse reencontro. Ainda nos amamos muito. Mas o amor muda com o tempo. E quão maravilhoso isso é.
Vou tentar dormir agora, pois daqui a pouquinho é hora de levantar.
Boa noite.